"Com isso, é possível aproximar as características da educação não formal documentadas com as práticas dos influenciadores digitais ou criadores de conteúdo no âmbito da qualificação profissional, compartilhados nas diversas plataformas de mídias sociais. Para isso, tomamos por base a flexibilidade, os graus de dinamismo, resposta rápida às mudanças ou mesmo a provisoriedade da modalidade. Contudo, para Gohn (2006), como “há intencionalidades nos processos e espaços da educação não formal, há caminhos, percursos, metas, objetivos estratégicos que podem se alterar constantemente” (Gohn, 2006., p. 32). Além disso, cabe reconhecer a centralidade do papel do formador nesse contexto das mídias sociais, atravessado por visões de mundo, ideologias, conhecimentos acumulados que acabam por constituir o projeto político-cultural dessas comunidades online de aprendizagem."
FERREIRA, Tiago Juliano. Trabalho Educativo em Plataformas: a atuação dos criadores de conteúdo em nas mídias sociais e as possibilidades de aproximação com a RFEPCT à luz da pedagogia histórico-crítica. IFSC, 2025.
[...] a transição do mercado de trabalho brasileiro para o empreendedorismo digital, acelerada pelo contexto da pandemia de Covid-19 em 2020, revela aspectos estruturais relacionados ao histórico de desigualdade socioeconômica e à precarização laboral do Brasil, estabelecendo a produção de conteúdo digital como alternativa para obtenção de renda, inclusive às camadas populares. Assim, para Pinheiro-Machado et al. (2024), embora a Organização Internacional do Trabalho (OIT), quanto ao trabalho em plataforma, centra-se no crowdwork (terceirização onde multidões trabalham pela Web em micro-tarefas) e no trabalho em aplicativo baseado em geolocalização, incluir a atuação dos influenciadores digitais nessa classificação pode aprimorar políticas de valorização do trabalho já que, para os autores, a limitação “exclui a vasta maioria de pessoas que são pobres demais para aderir a um aplicativo, mas que estão ativamente envolvidas no empreendedorismo nas mídias sociais” (p. 5).
FERREIRA, Tiago Juliano. Trabalho Educativo em Plataformas: a atuação dos criadores de conteúdo em nas mídias sociais e as possibilidades de aproximação com a RFEPCT à luz da pedagogia histórico-crítica. IFSC, 2025
Elementos do imaginário acerca do empreendedorismo digital tem sua gênese, em alguma medida, na construção das subjetividades dos trabalhadores de TI. Estudos buscam na história pistas que expliquem a transformação do imaginário do então trabalhador de informática nos anos 1980, até passar a se reconhecer como profissional de TI, a partir dos anos 1990. Para Souza (2016), a mudança na terminologia, nas ideias e nos valores relativos à profissão acompanhou as transformações do regime de produção, consubstanciada na consolidação das grandes empresas de tecnologia, [...]. Na análise de publicações da área entre 1984 e 2014, a autora constata que, antes denominada “profissões de informática”, não apenas impulsionou as transformações nas formas de organização do trabalho e da produção, mas sofreu tais modificações. Se até o final da década de 1980 a representação dos profissionais nas publicações convergia para a ideia de profissionais em carreiras promissoras, valorizadas e reconhecidas, o discurso constituído a partir da década de 1990 apresenta um cenário em que a construção da identidade do profissional de TI vincula-se, cada vez mais, ao ideal de “empreendedor”Souza, 2022, p.41
@tiagojferreira olá! O txt inteiro do fio é seu? Me interessei particularmente sobre esse trecho sobre a concepção geral de que a tecnologia seria neutra nos profs de TI: mais referencias?