Alguém deveria escrever sobre os deslizes bíblicos de Bolsonaro.
Quando ele citava "Conheceis a verdade e a verdade vos libertará", o enunciado bíblico mesmo, envolvendo os termos aletheia e gnoseon, o desmentiam e a todo seu governo e prática: alguém que quer a liberdade via verdade jamais mentiria tanto.
E quando ele escolheu um ministro do STF "terrivelmente evangélico", deveria se lembrar que evangelho significa "boa nova", mas a palavra "terrível" vem do grego deinos.
Deinos é o mesmo radical de dinossauro. Também é um termo muito utilizado por Platão para caracterizar os sofistas e aproximar estes dos magos e charlatães. O deinos significaria então igualmente temível e ardiloso.
Escolher um ministro do STF com uma palavra cujo passado servia para designar charlatães destoa do próprio termo escolhido.
Traduzindo via etimologia, é como se Bolsonaro se referisse a um temível, ardiloso e charlatão propagador da Boa Nova.