Fiz uma pergunta ao ChatGPT e ele respondeu certinho. Então perguntei qual foi a fonte que ele utilizou, e ele negou, dizendo que só acessa os bancos de dados aos quais foi alimentado.
Mas é óbvio que ele foi alimentado por fontes de terceiros.
Disso, o que parece interessante é uma pessoa que faz um prompt para que o ChatGPT gere um texto para ela: essa pessoa comete um duplo plágio.
O primeiro plágio é o do Chat, o qual não discrimina as fontes das quais é alimentado (e ele também poderia ser treinado para isso!).
O segundo é o do escritor, que faz passar a impressão de que o texto é dele.
Não importa se alguém diz que o Chat é um papagaio estocástico. O fato de ser um papagaio reforça a questão do plágio: mesmo quem não é papagaio é obrigado a citar a fonte - o que dispensaria o papagaio de fazer isso?
Em toda minha formação, sempre foi uma honra ser contatado por um pesquisador que trata dos mesmos assuntos que eu e oferece referências sobre o que eu tenho trabalhado, pois afinal, há uma coisa que se chama interlocução e outra chamada ineditismo.
Hoje parece haver uma questão geracional: quem recebe um contato assim se ofende.
Sou uma criatura da universidade há 25 anos e vi muita coisa evoluir, apesar das dificuldades.
Mas uma das coisas que não vi evoluir são as ementas de certos cursos de Humanidades. Simplesmente parecem uma espécie de quebra-cabeça, no qual o que a ementa diz, o que prescreve como programa e o que aponta como bibliografia são coisas que não tem nada a ver umas com as outras.
Isso, quando carregam algum sentido. Pois às vezes há erros de ortografia e até de nomes de autor.
Isso seria um comentário bobo, se não implicasse a formação de milhares (centenas de milhares?) de alunos na moenda universitária brasileira.
Agora, uma mulher com avental de dona de casa sobe numa cadeira aos berros. Como "acalmá-la"? Diz o anúncio (https://page.hn/a2z4by) da Thorazine:
> for prompt and sustained relief from severe mental and emotional stress, THORAZINE
Terceiro anúncio da Thorazina, agora para mulheres menopáuzicas (https://page.hn/o1hk0b)
Onde se lê:
> to help you relieive
the severe emotional upset
of the menopausal patient
THORAZINE*
'Thorazine' can facilitate the over-all management of your menopausal patient. Its unique, non-hypnotic tranquilizing effect relieves anxiety, tension, agitated depression and helps you to restore to the patient a feeling of well-being and a sense of belonging.
'Thorazine' is available in ampuls, tablets and syrup (as the hydrochloride), and in suppositories (as the base)
Outro anúncio da Thorazina (primeiro psicofármaco, outro nome para a Clorpromazina): https://page.hn/8aa30w
Na legenda:
THORAZINE*
HELPS TO KEEP MORE PATIENTS OUT OF MENTAL HOSPITALS
With 'Thorazine' "more patients will be released after shorter periods of hospitalization and fewer patients will require re-hospitalization. More patients can be treated in the community, at clinics or in the psychiatrist's office without being hospitalized at all.
O cristianismo tem apanhado e muito, e não é só de fora.
De fora reina uma visão ultraestereotipada, via de regra adotando o mesmo que as pautas da ultradireita.
De dentro é pior ainda: de fato há gente que caiu na lorota da ultradireita e o cristianismo virou, em muito, um secto de pessoas burras e recalcadas.
Mas há, ou deveria haver, muitas tradições do cristianismo que deveriam fugir a esses lugares comuns.
Anúncio da Thorazina (primeiro psicofármaco, outro nome para Clorpromazina) nos idos dos anos 1950/60: https://page.hn/owl35r
Na legenda:
> "disturbed wards have virtually disappeared"
Many hospitals have found that THORAZINE:
- makes patients accessible and receptive to psychotherapy
- reduces or eliminates the need for restraint and seclusion
- improves ward morale
- speeds release of hospitalized patients
- reduces destruction of personal and hospital property
- reduces need for shock therapy and lobotomy
- increases capacity of hospital to serve more patients than ever before
O #Moshidon está muito melhor e mais bonito
Há um outro estranhamento, mas ainda incipiente: a facilidade em aderirem à escrita acadêmica usando o ChatGPT.
Na [versão editada](https://archive.nytimes.com/lens.blogs.nytimes.com/2013/06/21/cartier-bresson-there-are-no-maybes/) :
> "Photography as I conceive it, well, it’s a drawing — immediate sketch done with intuition and you can’t correct it. If you have to correct it, it’s the next picture. But life is very fluid. Well, sometimes the pictures disappear and there’s nothing you can do. You can’t tell the person, “Oh, please smile again. Do that gesture again.” Life is once, forever"
(Cartier-Bresson) #photography #fotografia
> "Tenho tirado fotos desde bem novo eu acho, e não me lembro com que idade. Comecei pintando e desenhando, e para mim a fotografia era um meio de desenhar, apenas isso. Um esboço imediato, feito com intuição e você não pode corrigir mais. Se você corrigir isso, então é a próxima foto. Mas a vida é muito fluida. Bem, às vezes a foto desaparece. E você não pode fazer nada, você não pode dizer oh, por favor, sorria de novo, faça esse gesto mais uma vez. A vida é uma vez... e para sempre"
(Cartier-Bresson)
"I’ve been taking pictures for when I was very young I think, I don’t remember what age.
I’ve started by painting and drawing and for me photography was a mean of drawing and that’s all. Immediate sketch, done with intuition and you can’t correct it. If you have to correct it, it’s the next picture. But life is very fluid. Well, sometimes the picture disappear. And there’s nothing you can do, you can’t tell the person, oh, please smile again, do that gesture again. Life is once… forever".
(Cartier-Bresson)
Interesses: História da #Filosofia, História das #CiênciasHumanas, História da #Psicologia, Michel #Foucault. Também por #arte, #natureza e #fotografia.
Posto: o que vejo diante dos olhos, nessa curta vida. Compartilho links e coisas que me interessam, interajo, guardo informações, cito trechos, conjecturo, separo coisas para ler...
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